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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

REPÚBLICA VELHA OU PRIMEIRA REPÚBLICA

 


República Velha é o período da história do nosso país que se estendeu de 1889 a 1930. Os marcos que estipulam o início e o fim desse período são a Proclamação da República e a Revolução de 1930. Esse período é mais conhecido entre os historiadores como Primeira República.

Após a Proclamação da República, Deodoro da Fonseca foi escolhido como presidente provisório. Em 1891, o marechal foi eleito presidente do Brasil para um mandato de quatro anos, mas renunciou ao cargo e foi sucedido pelo seu vice, o marechal Floriano Peixoto, que permaneceu no cargo até o ano de 1894. Esse período de 1889 a 1894, em que o país foi governado por dois presidentes militares, é conhecido como República da Espada.

República da espada: teve seu início quando os militares lideraram o país politicamente entre os anos de 1889 a 1894 O termo “Espada” faz referência à atuação dos militares

 

Como Deodoro tornou-se presidente do Brasil?

Foi a Proclamação da República que resultou na escolha do marechal como presidente brasileiro em 1889.  Foi criado um governo

provisório, e esse governo optou por nomear Deodoro da Fonseca como presidente do Brasil.

          Governo provisório: foi marcado por  uma questão importante dessa fase foi a preocupação governamental em substituir antigos símbolos monárquicos por novos símbolos republicanos. Para impedir que o território nacional se fragmentasse, foi aprovada a Grande Naturalização, isto é, a naturalização de todos os estrangeiros residentes no país naquela época.

 

CONSTITUIÇÃO DE 1891



A Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1891, ou Constituição de 1891, foi a primeira constituição republicana do país, promulgada em dois anos de negociações após a queda do imperador D. Pedro II. Inspirada no exemplo norte-americano e moldada pela filosofia francesa do positivismo e estabeleceu as principais características do Estado brasileiro contemporâneo, como:

·         Modelo presidencialista e federativo: autonomia e independência aos Estados

·         O voto direto: (não secreto/aberto):podiam votar apenas homens alfabetizados com mais de 21 anos. Além das mulheres, não podiam votar: menores de 21 anos, mendigos, padres, soldados e analfabetos.

·         Separação entre Estado e religião (laicidade): liberdade de culto.

·         Os três Poderes: executivo, judiciário e legislativo,

Uma vez promulgada a nova Constituição, foi realizada eleição presidencial indireta.

Os eleitos foram Deodoro da Fonseca, , e Floriano Peixoto, . Isso marcou o início do governo constitucional de Deodoro, mas essa fase durou só até novembro, uma vez que os crescentes desentendimentos do presidente com o Legislativo acabaram minando sua posição, fazendo com que ele ficasse sem apoio e acabou renunciando em 23 de novembro de 1889.

Seu vice, Floriano Peixoto, assumiu a presidência

O governo de Floriano Peixoto

Floriano Peixoto foi o segundo presidente brasileiro e governou o país de 1891 a 1894.

Ficou marcado na história como o “marechal de ferro”, por ter lidado com duas revoltas importantes: a Revolta da Armada e a Revolução Federalista.

O governo de Floriano era extremamente impopular entre os políticos liberais e outros grupos, como comerciantes e latifundiários, mas, entre as camadas pobres do país, Floriano Peixoto era um presidente extremamente popular. Isso se deve ao fato de ele ter procurado amenizar os efeitos do Encilhamento (crise econômica que afetou o Brasil na década de 1890) no país e tomado medidas que beneficiaram as camadas mais pobres.

Floriano foi “obrigado” a transmitir a presidência para Prudente de Morais (primeiro civil eleito presidente), candidato escolhido pela oligarquia paulista para assumir o país.




segunda-feira, 28 de setembro de 2020

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO BRASIL, 1889

 

Proclamação da República, de Benedito Calixto(1893)

 

 A própria forma pela qual em geral nos referimos aos eventos ocorridos em 15 de novembro de 1889 - a "Proclamação da República" - já incorpora algumas idéias importantes. Em primeiro lugar, a de que ocorreu uma "proclamação". Mas o que é "proclamar"? É anunciar publicamente algo - no caso, que a Monarquia fora substituída pela República

 Origem do termo “república”

O termo “república” deriva do latim Res Publica e significa, literalmente, “coisa pública”, isto é, aquilo que diz respeito ao interesse público de todos os cidadãos. República é uma forma de organização política que teve origem na antiga Roma, no século VI a.C.

 

No dia 15 de novembro, comemoramos a instalação da República no Brasil, forma de governo na qual o povo exerce soberania por meio da escolha do chefe da nação. Vamos relembrar como tudo isso aconteceu?

O Manifesto Republicano, Em 1870

As propostas do republicanismo só tomaram forma e se organizaram mais sistematicamente quando o jornal A República, na edição de 3 de dezembro de 1870, publicou o Manifesto Republicano.

O documento propunha que o país se transformasse em uma República federativa para se adequar à realidade dos demais países do continente e garantir uma relativa autonomia das províncias em relação ao governo central. Propunha ainda a laicidade do ensino, a separação entre o Estado e a Igreja e a renovação do Senado.

  

CONTEXTO HISTÓRICO

Na segunda metade do século XIX, podemos perceber uma série de eventos que acabaram desgastando a monarquia.

Apesar da crescente dívida externa, os primeiros anos do 2º Império experimentaram  estabilidade política e econômica. Essa conjuntura permitiu:

•          funcionamento Parlamento;

•          A eliminação das revoltas;

•          Um surto industrial, na Era Mauá;

•          O sucesso do café.

Tendo em vista as instabilidades europeias com as revoluções, a aparente estabilidade brasileira atraiu muitos imigrantes na segunda metade do XIX. Sendo a maioria deles destinados aos trabalhos nas crescentes lavouras paulistas.

 

CRISE ECONÔMICA

Contudo, a ilusão de um cenário estável logo ganhou outros contornos a partir de 1864, com a Guerra do Paraguai. O conflito brasileiro contra o país de Solano López se estendeu por seis anos, exigindo gastos exorbitantes com equipamentos militares e deslocamento de tropas.

A crise econômica que se instalou e a dívida externa por conta dessa guerra tiveram um impacto considerável no aumento da inflação. Os problemas financeiros do império foram tão grandes, que até mesmo a república, proclamada quase 20 anos depois, ainda herdaria essa crise.

 

O IMPÉRIO EM CRISE

Questões que monopolizaram a cena política nacional nas últimas décadas do império:

               Religiosa,

               Militar

               Abolição da escravidão.

 

QUESTÃO RELIGIOSA

A Constituição de 1824 outorgava ao imperador o direito de interferir na nomeação de bispos (padroado) e de decidir quais determinações do papa poderiam ser cumpridas no Brasil (beneplácito). A partir de 1869 - com base nas decisões do Concílio Vaticano I, que estabeleceu o dogma da infalibilidade do papa - a Igreja Católica começou uma campanha para aumentar o poder papal em relação aos poderes regionais, tanto civis como eclesiásticos.

Nesse contexto iniciou-se uma briga entre o clero brasileiro e o imperador por causa da maçonaria - sociedade secreta da qual possivelmente o imperador fazia parte. Todos os documentos do papa que condenavam a maçonaria eram vetados por Pedro II, o que gerou uma crise entre o Estado e a Igreja. Essa crise teve como momento mais grave a prisão, em 1874, de dois bispos que recusavam a reconhecer o predomínio da autoridade do imperador sobre a autoridade do papa. No ano seguinte, o imperador anistiou os dois bispos, mas havia perdido definitivamente o apoio da Igreja católica.

 

 QUESTÃO MILITAR

No governo de Pedro II, a Academia Militar foi reformulada e seu alto nível de ensino foi elemento importante na formação de uma elite militar bastante esclarecida e interessada em participar da vida política nacional. A vitória na guerra contra o Paraguai (1864-1870), além de garantir prestígio às tropas, colocou os militares em contato com as ideias abolicionistas e republicanas, o que fez muitos deles saírem do conflito abolicionistas, republicanos e com prestígio social.

Desta forma, a partir de 1883, uma série de desentendimentos entre o Exército e o parlamento teve início. Essas desavenças obrigaram D. Pedro II a desmobilizar núcleos politizados do exército. Essas atitudes soaram como afrontas para muitos militares, que cada vez mais passaram a apoiar o fim do Império.

 ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO

A Guerra do Paraguai também agiu como um importante estimulante para o crescimento da onda abolicionista. Muitos dos escravizados que lutaram nas batalhas, além de receberem o prestígio dos militares, retornaram alforriados para o Brasil. Outros, no entanto, serviram ao império e tiveram ainda que voltar para seus proprietários, sem qualquer recompensa.

Essa conjuntura provocou a reflexão em novas camadas sociais, sobretudo na política, fortalecendo os movimentos abolicionistas. Apesar de D. Pedro II ser simpático a causa em discursos internacionais, entre os latifundiários e escravocratas a postura era conservadora

A gradual conquista da abolição com a lei Eusébio de Queiroz, lei do ventre-livre e lei do sexagenário desagradava a elite econômica.

Entretanto, foi com a Lei Áurea (1888), que aboliu a escravidão sem indenização para escravizados e senhores, que o laço entre império e cafeicultores ruiu. Insatisfeitos com a medida tomada pela Princesa Isabel, a monarquia, enfim, perdeu um de seus principais aliados.

Nos últimos anos do Império, os escravocratas representavam o último grupo social de peso que ainda apoiava a monarquia.A abolição da escravidão aparece, no contexto da transição para a república, como o golpe final numa estrutura que já tinha sua base totalmente corroída. A república era um acontecimento de contornos bem nítidos, faltavam apenas algumas pinceladas para que surgisse totalmente definida.

 

 A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

O ideal republicano crescia e as pressões sobre o velho e doente imperador acentuaram-se. Em fins de 1888 foi nomeado o último primeiro-ministro do Império, Afonso Celso de Oliveira Figueiredo, o visconde de Ouro Preto.

Numa tentativa de manter a monarquia, Ouro Preto anunciou uma série de medidas reformistas, influenciadas pelas ideias republicanas. A Câmara rejeitou as reformas e foi dissolvida.

Os republicanos aproveitaram a crise política e, no dia 14 de novembro de 1889, lançaram o boato de que o primeiro-ministro havia decretado a prisão de Deodoro da Fonseca e de Benjamin Constant. O boato sublevou os quartéis contra o governo imperial.

Na manhã do dia 15 o marechal e suas tropas invadiram o Ministério da Guerra, onde monarquistas estavam reunidos, e destituíram Ouro Preto de seu cargo de primeiro-ministro. Os monarquistas não reagiram e assim, dentro de um gabinete militar, a república foi instaurada.

O próprio Deodoro avisou ao imperador que a monarquia havia acabado. D. Pedro II e sua família voltaram para Portugal.

Na tarde de 15 de novembro de 1889, foi proclamada oficialmente a república brasileira e, de forma semelhante ao que acontecera em 1822, o povo, sem qualquer participação em todo o processo, pouco entendia o que estava acontecendo. Segundo o jornalista Aristides Lobo, em uma publicação no Diário Popular, no dia 18 de novembro: “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava.”!

 

Manuel Deodoro da Fonseca: 1º Presidente do Brasil

15 de novembro é feriado nacional?

Todo ano o 15 de novembro é considerado feriado nacional por determinação da legislação brasileira. Em 14 de janeiro de 1890, foi emitida a primeira lei reconhecendo o dia como feriado. Essa lei foi o Decreto nº 155-B, que determinou o feriado como um dia para celebrar a “pátria brasileira”. Essa ação, no entanto, foi uma de muitas para garantir legitimidade à recém-instaurada república no Brasil e garantir que o dia e o republicanismo ficassem impregnados no imaginário popular.

 

 Sugestões complementares:



          https://www.youtube.com/watch?v=T2gMKpADSQU&feature=youtu.be



PERÍODO IMPERIAL BRASILEIRO- 1822/1889

 

1844, François René Moreaux- Pintura


O império brasileiro pode ser dividido em três períodos ou fases:
  •  Primeiro Império/reinado - 1822/1831)
  •  Período Regencial- 1831/1840
  •  Segundo Império/reinado – 1840/1889 

PRIMEIRO REINADO

D. Pedro I

O Primeiro Reinado foi o período da história do Brasil iniciado a partir da independência do país, em 1822, até 1831.

 RECONHECIMENTO DA INDEPENDÊNCIA

O primeiro pais a reconhecer a independência do Brasil foi os Estados Unidos da América, no ano de 1824.

No ano de 1825 foi à vez de Portugal reconhecer a independência de sua antiga colônia. Mas exigiu uma indenização de dois milhões de libras

 GRUPOS POLÍTICOS:

👉O Partido Português: Articulava a recolonização do Brasil

👉O Partido Brasileiro: era subdividido em

      Conservadores: defendiam uma monarquia centralizada

      Liberais: queriam uma monarquia constitucional

 

 ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE, 1823

Criada com o objetivo de elaborar a constituição do Brasil, foi fechada por D. Pedro I, pois não defendiam os interesses do mesmo. Porém, a Assembleia ficou reunida na noite de 11 para 12 de novembro, episódio conhecido como Noite da Agonia.

Desta forma o imperador convocou conselho de Estado e foi elaborada uma constituição a primeira do Brasil.

 A CONSTITUIÇÃO DE 1824

Principais características

      Outorgada

      Hereditária

      4 poderes: Executivo: imperador e ministros;

o   Legislativos: deputados e senadores;

o   Judiciário: tribunais e juízes;

o   Moderador: poder absoluto do imperador

      O país foi dividido em províncias,

      O voto era censitário

      Eleições indiretas;

      Oficialização da religião católica

Promulgada: é a constituição democrática, ou seja, feita pelos representantes do povo.

Outorgada: é a constituição imposta ao povo pelo governante.

 Por que o Brasil tornou-se uma monarquia?

Segundo as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloísa Starling, a escolha da monarquia por alguns motivos:

 As guerras de independência

Para garantir a independência e manter a unidade territorial D. Pedro I teve que enfrentar a resistência de algumas províncias, governadas por portugueses e que se mantiveram leais às Corte portuguesas.

Bahia, Piauí, Grão-Pará, Maranhão e Província Cisplatina (Uruguai) se armaram contra a Independência do Brasil.

As guerras de independência contrariam a visão tradicional de que a independência brasileira foi pacífica.

 CONFLITOS NO PRIMEIRO REINADO:

A Confederação do Equador 

Guerra da Cisplatina


👉Confederação do Equador

A Execução de Frei Caneca, 1924. Óleo sobre tela. Acervo do Museu Murillo La Greca — Recife, Pernambuco, Brasil

Constituição de 1824, por atribuir tanto poder ao Dom Pedro I, foi motivo de muitas insatisfações e gerou rebeliões espalhadas pelo Brasil. Uma das mais conhecidas foi a chamada Confederação do Equador, que aconteceu principalmente em Pernambuco, e teve como um de seus líderes mais conhecidos Frei Caneca.
Frei Caneca, grande questionador do poder moderador, foi o responsável pelo documento da Confederação do Equador, que previa a emancipação e proclamação de uma República no Nordeste, formada pelos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande Norte, Alagoas e Paraíba.

Essa rebelião teve apoio popular e tinha como objetivo a proclamação da República no Nordeste

A Confederação terminou com repressão violenta inclusive o frei caneca foi fuzilado.

 

👉Guerra da Cisplatina

Essa guerra foi iniciada quando rebeldes da Cisplatina declararam a separação da província do Brasil e sua vinculação com as Províncias Unidas (atual Argentina).

A guerra foi um fracasso, pois o Brasil sofreu derrotas em inúmeras batalhas.

O resultado disso foi que o Brasil assinou um cessar-fogo com os argentinos e ambos reconheceram a independência do Uruguai em 1828.

A guerra reduziu a popularidade do imperador, pois, além das humilhações militares, o país amargou uma forte crise na economia como resultado dos gastos no conflito.

 

Como terminou o Primeiro Reinado?

Os desgastes na relação de D. Pedro I com grande parte da sociedade, em especial com certa elite política e econômica, fizeram com que o imperador renunciasse o trono em favor de seu filho, Pedro de Alcântara. Dessa forma, em 1831, o Primeiro Reinado chegou ao fim.

Entre os eventos que contribuíram para fragilizar a posição do imperador, podemos citar como os de maior destaque:

      Conflitos durante o primeiro reinado: Confederação do Equador e Guerra da Cisplatina

      Noite das Garrafadas: Os desentendimentos entre brasileiros e portugueses eram tão grandes que o resultado foi um grande confronto entre os dois lados nas ruas da cidade do Rio de Janeiro.

      Crise econômica:  empréstimos aumentavam a inflação;

      Sucessão do trono português: Morte do rei de Portugal, O pai de D. Pedro I, 1826.

      Autoritarismo de D. Pedro I: D. Pedro I era mal visto por ser autoritário e incompetente para resolver os problemas políticos e econômicos do Brasil.

        Assassinato de Líbero Badaró: A imagem de D. Pedro I saiu

mais desgastada ainda quando o jornalista italiano Líbero Badaró foi

assassinado em novembro de 1830.

 

 A ABDICAÇÃO DE D.PEDRO I 

A Abdicação de D, Pedro I, ocorrida em 7 de abril de 1831, deveu-se a uma série de complicações políticas nascidas dos interesses de brasileiros e portugueses, à época.

Juramento da Constituição Outorgada de 1824 pela nova rainha de Portugal, Maria da Glória (D. Maria II). Desenho de Domingos António de Sequeira, 1826. Domínio público, Museu Nacional de Arte Antiga

Em meio a tudo isso, D. Pedro I decide abdicar do trono em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho, D. Pedro de Alcântara. No bilhete de sua abdicação está escrito:

Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que, hei mui voluntariamente, abdicado na pessoa do meu muito amado e prezado filho, o sr. D. Pedro de Alcântara." Boa Vista, sete de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império. Pedro.

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/teria-dom-pedro-i-mandado-matar-libero-badaro-jornalista-liberal-da-oposicao.phtml


SUGESTÃO DE VÍDEO

https://www.youtube.com/watch?v=Va01QETRzmg

terça-feira, 22 de setembro de 2020

A VINDA DA CORTE PORTUGUESA PARA O BRASIL EM 1808 E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

 

Figura 1:Chegada do Príncipe D. João, da família real e da Corte à Igreja de Nossa Senhora do Rosário para missa comemorativa da chegada ao Rio de Janeiro. Óleo sobre tela. Armando Martins Viana. Século XX. Museu da Cidade, Rio de Janeiro.


A independência do Brasil foi declarada no dia 7 de Setembro de 1822, e, com ela, o Brasil determinou o fim do laço colonial que existia com Portugal, declarando-se como uma nação.

Transferência da Corte portuguesa, 1808 e Período Joanino

No final de 1807, a família real portuguesa resolveu mudar-se para o Brasil, por conta da invasão francesa em represália ao fato dos portugueses não terem cumprindo Bloqueio Continental. A família real transferiu o aparato administrativo de Lisboa para o Rio de Janeiro. A transferência da corte portuguesa para o Brasil promoveu uma série de mudanças no país. Como primeira medida, D. João, príncipe regente: abertura dos portos brasileiros às nações amigas.

Figura 2: D.joão VI

Essa decisão colocava fim ao monopólio comercial que existia e garantia aos comerciantes instalados no Brasil a possibilidade de comercializar, por exemplo, com a Inglaterra, a grande potência na época.

Outras mudanças com a chegada da família real: universidades, teatros e bibliotecas, por exemplo. O crescimento do cenário científico e cultural do Brasil possibilitou a vinda de intelectuais e artistas importantes daquela época para o país.

Em 1815, o país foi elevado à condição de Reino, e Portugal passou a chamar-se Reino de Portugal, Brasil e Algarves. Na prática, o Brasil deixava de ser uma colônia para tornar-se igual a Portugal. 

Bloqueio Continental: decreto de Napoleão Bonaparte, em 21 de Novembro de 1806, o documento estabelecia que todos os portos da Europa deveriam fechar suas portas para as embarcações inglesas

Monopólio comercial: foi a proibição de que os brasileiros negociassem com comerciantes de qualquer outro país que não Portugal. Oficialmente durou, até o século XIX, quando ocorreu a abertura dos portos brasileiros às "nações amigas".


Revolução Liberal do Porto,1820

Essa foi uma revolução de caráter liberal que se iniciou em Portugal poucos anos depois da derrota definitiva de Napoleão Bonaparte. A burguesia portuguesa exigia reformas que colocassem fim à crise econômica e política que o país enfrentava e ainda desejava o fim do absolutismo. Havia uma grande insatisfação por parte dessa classe com a liberdade econômica conquistada pelo Brasil durante o Período Joanino.

O principal objetivo dessa revolução elaborar uma nova Constituição para o país. As Cortes exigiram que o rei português, D. João VI, retornasse à Lisboa e que o monopólio comercial fosse novamente instaurado no Brasil.

 A Revolução do Porto demonstrou que os interesses existentes entre metrópole e colônia eram irreconciliáveis.

O processo de independência do Brasil

As duas exigências das Cortes portugueses logicamente repercutiram no Brasil, e grande parte dessa repercussão foi negativa.

Pressionado, D. João VI jurou lealdade à Constituição portuguesa em fevereiro de 1821, e, em abril, partiu, de volta para Lisboa.

No entanto, seu filho, Pedro de Alcântara, permaneceu no Rio de Janeiro como príncipe regente do Brasil. A partir daí, a relação entre Brasil e Portugal se desgastou.

Os portugueses demonstraram a intenção de impor a autoridade de Lisboa sobre todas as regiões do Império Português. A relação entre Brasil e Portugal agravou-se por medidas determinadas pelas Cortes. Essas medidas foram:

  • v Envio de mais tropas portuguesas para o Brasil;
  • v Transferência de instituições do Rio de Janeiro para Lisboa;
  • v Exigência do retorno do príncipe regente.

O Dia do Fico

Figura 3: D. Pedro


A reação ao pedido de retorno de D. Pedro para Portugal levou os brasileiros a organizarem o que ficou conhecido como Clube da Resistência. Por meio deste, foi elaborado um abaixo-assinado contra o retorno de D. Pedro a Portugal. O príncipe regente recebeu esse documento com oito mil assinaturas em Janeiro de 1822. Esse evento acabou levando ao Dia do Fico, que aconteceu em 9 de janeiro, e foi uma ocasião em que D. Pedro anunciou publicamente que desobedeceria a ordem portuguesa e permaneceria no Brasil.  Nessa altura dos acontecimentos, a saída pela defesa da independência começava a ganhar força nas elites brasileiras.   

A Lei do Cumpra-se

Em maio de 1822, ficou decidido que as ordens enviadas por Portugal só teriam validade no Brasil por meio da aprovação pessoal de D. Pedro, e isso ficou conhecido como o Cumpra-se. Em Junho foi convocada uma Assembleia Constituinte, com a intenção de elaborar uma Constituição para o Brasil.  Uma das figuras mais importantes para o processo de independência do Brasil foi de José Bonifácio. 

Figura 4: José Bonifácio


No final de Agosto, uma carta com novas ordens de Portugal chegava ao Brasil. As Cortes criticavam os “privilégios” brasileiros, exigiam novamente o retorno do regente Essa carta fez a esposa de D. Pedro, D. Leopoldina, convocar uma sessão extraordinária que ficou decidida pela independência do Brasil. As notícias trazidas de Portugal e a decisão dessa sessão extraordinária foram enviadas para D. Pedro. O regente estava em viagem para São Paulo, e o mensageiro alcançou a comitiva do regente em 7 de Setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga. Ao inteirar-se da situação, D. Pedro declarou o Brasil independente.

Esse acontecimento é considerado como o marco da independência brasileira. D. Pedro foi aclamado e coroado imperador do Brasil, tornando-se D. Pedro I, e governou o Brasil até 1831, no chamado  Primeiro Reinado ou primeiro império.

Figura 5: D. Leopoldina: esposa de D. Pedro I



SUGESTÕES DE VÍDEOS

https://www.youtube.com/watch?v=ptUthglDhbM

https://www.youtube.com/watch?v=kOPu0_x1Sns